Presidente do governo regional quer mais sensibilidade da A.N para a criação de uma lei das finanças regionais

O presidente do governo regional, Filipe Nascimento no seu discurso no ato central da comemoração dos 551 anos da descoberta da Ilha do Príncipe, disse que existe “ausência de sensibilidades [na Assembleia Nacional] para a criação de uma lei das finanças regionais, que possa contribuir para atenuar os constrangimentos decorrentes da transferência avulsa de verbas para o contexto regional” e criticou a rejeição do estatuto político-administrativo da Região Autónoma do Príncipe “que foi recentemente chumbado na Assembleia Nacional, estranhamente com votos de deputados eleitos pelo círculo do Príncipe”.

“Esta atitude é muitas vezes condicionada por critérios de natureza político-partidária mesquinhos e que não acrescentam valor à defesa dos interesses nacionais e regionais”, avançou Filipe Nascimento considerando que “a população do Príncipe tem dificuldades em compreender esta atitude, até pelo facto de a experiência autonómica durante a última dezena de anos denunciar, no contexto regional, ganhos extraordinários em múltiplos setores que não podem ser desprezados, por mais esforços que se possa fazer em sentido contrário”.

Nascimento avançou ainda que “ninguém compreende, por exemplo, que o preço de um bilhete de avião entre as duas ilhas, com uma extensão de 140 quilómetros, durante meia hora de viagem, seja de 6 a 7 mil dobras [cerca de 300 euros], quase que equivalente ao preço de um bilhete de alguém que vem do exterior para o país e tenha, por exemplo, de atravessar todo o Atlântico para chegar ao território nacional”.

O lider do Governo Regional precisou que a ilha do Príncipe “não pode continuar a ser constantemente vítima do modelo de organização administrativa, de decisões políticas, sobretudo no domínio de uma política de transportes nacionais, marítimo e aéreo, por exemplo excludente e promotora de desigualdades” e pediu “a definição de uma política de transporte que ajude os agentes económicos” e “contribua para acrescentar valor no domínio económico e, sobretudo, que não proporcione, de tempos a tempos, mortes, dores e sofrimento.”

Devido o aumento exponencial da Covid-19 em São Tomé e Príncipe e imposição das medidas decretadas decorrentes do Estado de Calamidade Sanitário todas as atividades desportivas, culturais, recreativas, entre outras, previstas para a comemoração da efeméride foram suspensas.

O ato central contou também com a participação do Presidente da Assembleia Legislativa Regional, João Paulo Cassandra, Presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, Ministro da Saúde, Edgar Neves, Embaixadora de Cabo Verde, Deontina Carvalho, Secretários Regionais, Deputados Nacionais e Regionais, Dirigentes, Autoridades Civis, Militares e Paramilitares.

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