São Tomé e Príncipe assinala 68º aniversário do Massacre de Batepá

No início dos anos 1950,  a escassez de mão-de-obra cresce nas ilhas, e associa-se com os constrangimentos que dificultavam a importação de trabalhadores contratados de Angola, e o clima de tensão intensifica-se na sociedade são-tomense.

Nos meses que precedem o massacre desencadeiam-se medidas repressivas contra os forros e reforça-se a difusão de rumores de que seriam despromovidos à condição de indígenas, estatuto legal que não se lhes aplicava.

Essa tentativa de forçar ou convencer os forros ao trabalho a contrato nas roças é rapidamente desmentida pela administração colonial, que se apressa a negá-la em notas oficiosas afixadas em algumas zonas da ilha de São Tomé.

É neste contexto que alguns forros decidem protestar, arrancando as declarações oficiais do Governo nas ruas de Trindade e Batepá, localidades tidas como bases geográficas privilegiadas da elite fôrra.

Massacre de Batepá  foi um massacre cometido pelas tropas coloniais portuguesas que teve lugar em São Tomé e Príncipe a 3 de Fevereiro de 1953. É incerto o número de mortes que terão resultado por tortura eléctrica e afogamento.

Centenas de nativos negaram-se a serem contratados à força para as plantações do Cacau e do Café ou para trabalharem como escravos nas obras públicas.

O governador português de então Carlos Gorgulho, não deixou barato e desencadeou um autêntico massacre que teve início no centro da ilha de São Tomé, nas zonas de Batepá, Trindade, Folha Fede, António Soares até Otótó.

Mas, o Apocalipse deu-se na praia de Fernão Dias no noroeste da ilha de São Tomé. Corpos moribundos ensanguentavam a praia perante as barbaridades dos colonos, que os obrigavam entre várias coisas, a apanharem a água do mar com baldes rotos, (trabalho de água com cesto), numa tentativa incessante de secar o mar.

Para que a data não passe despercebida, 3 de Fevereiro é feriado nacional em honra dos combatentes nativos . Em Fernão Dias é realizado um ato central com missa solene, deposição de coroa de flores e um discurso do Presidente da República, entre outras atividades.

O massacre é considerado o episódio fundador do nacionalismo são-tomense e as suas vítimas foram transformadas em heróis pela liberdade da pátria.

 

 

Compartilhar :

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.