Wildiley Barroca defende que a China não é o que a “media ocidental ou as redes sociais divulgam”

O jovem são-tomense, Wildiley Barroca desde muito cedo tem uma ligação muito forte com o associativismo a nível nacional e internacional. De 2014 a 2018, foi presidente do Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe, bem como embaixador da Juventude na União Africana, exercendo as funções de vice-presidente da União Pan-Africana da Juventude (UPJ) e coordenador-geral para a África Central.

“A minha inclusão no grupo dos Líderes emergentes dos diversos departamentos da sociedade tem gerado muitos desafios, respaldados pelas diversidades culturais de muitos jovens com experiência das suas próprias realidades”, conta Wildiley Barroca está na China no quadro das Bolsas de Estudos Dongfang em Governação.

Em entrevista a Zunta Cloçon, Wildiley Barroca contou como tem sido a sua experiência de estudo na China, particularmente na prestigiada Universidade de Pequim.

“Estudar na China e particularmente na Universidade de Pequim, a mais privilegiada e conceituada Universidade da República Popular da China e do Continente Asiático, constitui para mim uma elevada e desmedida honra ver reconhecido a minha capacidade, e ter encontrado espaço para fomentar ainda mais o meu desenvolvimento cognitivo, poder partilhar momentos e experiências únicas com os bons (bons estudantes, bons professores, bons pesquisadores, bons profissionais, simplesmente bons e melhores…) porque só os bons e ou melhores encontram espaço neste Estabelecimento de Ensino”, avançou Wildiley Barroca.

O jovem de 30 anos integra um total de 29 líderes emergentes dos departamentos governamentais, partidos políticos, acadêmicos, líderes juvenis e de áreas afins de países asiáticos, africanos e latino-americanos com os quais a República Popular da China goza de uma excelente relação de amizade e cooperação nas áreas económica, cultural, infraestruturas, educação, diplomacia, entre outros.

Wildiley Barroca considerou que “a República Popular da China reúne espaço para o exercício de uma atividade académica frutífera,” mas alertou que deve “haver por parte dos estudantes o espírito de elevada determinação e focos, evitando-se perder nas ofertas momentâneas e conjunturais que não são poucas.”

O jovem líder são-tomense disse que tem recebido “um tratamento especial e privilegiado” enquanto estudante do programa Dongfang Scholarship 2021, da Universidade de Pequim.
Com foco no tema ‘Compreendendo a China’, as Bolsas de Estudos Dongfang em Governação consistem em cinco módulos envolvendo as áreas da economia e gestão; política e relações internacionais; governação; filosofia, direito e sociedade; história e cultura.

“Os conteúdos transmitidos pelos excelentes professores da Universidade de Pequim, relativamente a redução da pobreza, política partidária, diplomacia chinesa, macroeconomia, inovação e desenvolvimento, políticas rurais e agrícolas, saúde pública, políticas públicas, a iniciativa Belt and Road, permitiram-me entender efetivamente a política de liderança e governação chinesa.”

“O meu entendimento hoje, reside no que vivi e vi, e não no que a media ocidental ou as redes sociais divulgaram”, acrescentou, referindo que entender a RPC permitiu-lhe “essencialmente entender a liderança do partido comunista chinês, o modelo de governação aplicado e os sucessos almejados.”

Segundo Barroca “o Partido Comunista Chinês não mede esforços no sentido de continuar a fazer histórias, continuar a garantir o seu compromisso com o bem-estar da população e tudo fazer para consolidar o seu espaço como maior potencial mundial nos próximos tempos” e “tornar o país líder das tecnologias da 4ª Revolução Industrial, como inteligência artificial, robótica,” e outras.

“A experiência chinesa tem lições importantes para São Tomé e Príncipe e o Mundo,” defendeu.
Barroca entrou na China no momento em que a pandemia da Covid-19 estava a devastar o mundo e sob fortes medidas de prevenção e controlo, ao contrário do que observava em São Tomé e Príncipe.

“Entrei na República Popular da China no período ateado da pandemia e em meio as rigorosas medidas de restrições adotadas pelo executivo para travar a propagação do vírus, o que inicialmente constituiu para mim, um choque de realidade pelo fato de que em São Tomé e Príncipe, a maneira como encaramos esse novo Corona vírus, está longe de ser um combate sério a pandemia, embora continuamos a assistir um número bastante elevado e assustador de pessoas a morrerem contaminadas pelo COVID-19”.

Wildiley Barroca enalteceu o “programa massivo de testagem e uso de tecnologia de informação” go Governo chinês que “foi capaz de facilmente identificar contaminados e possíveis contaminadores, além de alertar por dispositivos móveis, todas as pessoas que estiverem minimamente próximas de algum foco de contaminação”.

Conta ainda que “a pandemia contribuiu para uma forte expansão na produção chinesa de eletrónicos e eletrodomésticos, em resposta ao fato de terem as pessoas mais em casa do que nas suas atividades quotidianas normais.”

“Como estudante, e embora num período com as restrições mais aligeiradas, consegui adaptar-me facilmente e sentir como que se estivesse em casa, ainda mais, perante a solidariedade do povo chinês, a disponibilidade e a eficiência em sempre prestar auxílio. Diante deste cenário de integração social, marcou-me em demasia o estado de pânico e de alguma tristeza com que muitos ficavam quando se viam impossibilitados em ajudar ou a responder necessidades de um requerente estrangeiro. A maneira ponderada como cada profissional, do sector público e do sector privado, encara com responsabilidade as suas funções fez-me lembrar com profunda melancolia a deplorável realidade do meu país”, desabafou.

“Quero transmitir o meu sentimento de profunda gratidão e sincero apreço ao Partido Comunista Chinês e ao seu Líder, o Presidente Xi Jinping, a Embaixada da República Popular da China em São Tomé e Príncipe, e em particular a Universidade de Pequim pela logística colocada a disposição para fornecer-me a mais calorosa acolhida e hospitalidade concedida desde a minha chegada ao solo Pátrio Chines”, finalizou.

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