ZUNTA CLOÇON ENTREVISTA O MELHOR RAPPER SANTOMENSE NA DIÁSPORA 2016 PELO PLANETA RAP LUSO PEKAGBOOM

PERCIO SILVA, conhecido no mundo da música como A.K.A PEKAGBOOM, foi recentemente eleito o melhor rapper de São Tomé e Príncipe, pelo Planeta Rap Luso. Este jovem que residia em Beco Samarco, em Almeirim, mudou-se para Portugal há mais de 10 anos, mas sempre que lhe é possível, visita a sua terra natal, para matar as saudades.

Em Portugal, estudou Técnicas de Comércio, mas também aproveitou para aperfeiçoar os seus dotes musicais, pois a sua integração no ceio da sociedade não foi difícil. Segundo o próprio: “Foi fácil e rápido, visto que sou uma pessoa muito aberta a novas amizades. Tenho este país como a minha segunda terra Mãe, mas uma das maiores barreiras que tive que ultrapassar foi a questão do racismo, isso me tornou mais forte e no homem que sou hoje, graças a Deus”. Outro problema que teve foi a documentação, que, em geral, é o maior problema para todos emigrantes, diz sorrindo. Recorda que acabou por aprender a resolver o problema, como se faz na matemática.
Quanto a São Tomé e Príncipe, ele chega mesmo a compará-lo com um paraíso na terra, onde todos podem comer de forma civilizada, em harmonia e paz. “O meu sentimento por São Tomé e Príncipe é muito grande e sou capaz de dar a minha vida pela minha terra. Tenho um grande respeito pelo povo santomense e pela cultura, pois acho que é a mais linda do mundo, só tenho pena que as pessoas ainda não se tenham apercebido disso”. Estas são algumas das palavras do rapper, que acredita que aqui a arte é valorizada e todos os artistas são recompensados.
Sendo a música a sua alma, o cantor tem como foco ajudar as pessoas, através de mensagens de igualdade e justiça. Como todos os cantores, também PEKAGBOOM tem o sonho de viver da sua música, mas está consciente das dificuldades e do trabalho que exige atingir este objetivo.

O primeiro passo já foi dado, aquando da recepção do prémio de melhor rapper santomense, na Disporá. O artista diz sentir-se honrado por ver o seu trabalho reconhecido. Refere não estar no mundo do Rap a procura de títulos e que não se sente melhor que ninguém. Para o artista, somos  todos diferentes e também todos iguais.

Ainda de acordo com o músico, ultimamente, o rap Santola tem crescido. Sente-se feliz pelo reconhecimento, que fará com que outros amantes de rap, de outros países luso-descendentes, possam ouvi-lo a si e a outros artistas de São Tomé. Na sua humilde opinião, acredita que há muitos artistas mais completos que o próprio. Acredita que ainda não é o rapper que quer ser e que tem muito trabalho pela frente.

“Estou feliz com o resultado do meu álbum “Banho Público”. Graças a Deus, tenho sentido o reconhecimento de muita gente. Muita gente trabalhou comigo para este feito acontecer, desde a produção do álbum até à realização dos vudeiclips. Acho que a força deste trabalho foi ter pessoas certas que muito me ajudaram para feito acontecer e espero vir a ganhar o meu honesto pão, fazendo Rap santola, porque tudo é impossível até alguém torná-lo possível.”

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